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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sobre a sucessão do Dalai Lama


Do site g1.globo.com
(07/02/09)

Dalai Lama enfrenta tradição e pressão política em busca de sucessor
Vencedor do Nobel da Paz, atual Dalai Lama é inovador.
Ele defende que cargo seja mais religioso de que de governo.


A busca pelo atual Dalai Lama teve início em 1935, quando se diz que a cabeça embalsamada de seu predecessor falecido rolou até parar apontando para o nordeste do Tibete.

Então, segue a história, um enorme fungo em formato de estrela cresceu da noite para o dia no lado leste da tumba. Um promissor banco de nuvens se formou, e um regente teve uma visão de letras flutuando num lago místico, que ele interpretou como se referindo à província de Ambo, no nordeste.

Lamas elevados saíram a galope e encontraram um menino com dois anos de idade em uma vila distante. Essa criança, eles determinaram após uma série de testes, era a reencarnação do Dalai Lama.

Há pouca linearidade na sucessão dos lamas no Tibete. E agora, com o 14º Dalai Lama entrando em seus 74 anos, a questão de como escolher seu sucessor tem preocupado tanto ele quanto seus seguidores - enquanto o Tibete se vê em meio a passagem política ainda mais precária.

Preocupações com o futuro


No fim do ano passado, o governo chinês mais uma vez rejeitou a proposta do Dalai Lama de uma reaproximação que renderia maior autonomia para o Tibete. Nos últimos dias, tropas chinesas invadiram milhares de casas e detiveram pelo menos 81 ativistas antes do 50º aniversário, em março, da revolta fracassada que forçou o Dalai Lama a se exilar na Índia. A China parece inclinada a aumentar o aperto e esperar pelo idoso líder, insistindo, de maneira um pouco improvável para um governo oficialmente ateísta, que tem o direito legal de designar a próxima reencarnação do Dalai Lama.

Quando representantes do Tibete se encontraram no último outono em seu parlamento em Dharamsala, no Himalaia indiano, suas preocupações sobre o futuro ecoaram pelos corredores. Alguns discutiam sobre uma linha militante, insistindo na independência. A maioria considerava o conselho do Dalai Lama, de encontrar um meio termo pacifista. Mas a pergunta sem resposta continua: por quanto tempo mais os tibetanos conseguiram se apoiar em seu carismático e instruído líder espiritual, cuja personalidade é tão entrelaçada ao destino do Tibete?

O Dalai Lama falou abertamente sobre sua próxima vida, sua reencarnação, refletindo que ele pode reinventar a prática histórica e cultural e escolher sua reencarnação antes de sua morte, o melhor para salvaguardar seu povo exilado.

Dúvidas


Porém, as dúvidas prosseguem.
Poderia uma pessoa, mesmo um budista tão evoluído como o Dalai Lama, escolher sua reencarnação? Alterar a antiga forma de procura pela encarnação do Dalai Lama, na qual sacerdotes buscam presságios, portentos e sinais meteorológicos, não minaria a legitimidade de seu sucessor?

Desde que ele fugiu da autoridade chinesa a pé e a cavalo sobre o Himalaia, em 1959, o Dalai Lama viajou incansavelmente e falou apaixonadamente sobre o Tibete. Os frutos de seu trabalho são muitos: o mundo está pontuado de centros tibetanos, e bandeiras de prece tremulam de Delhi a Londres, de Zurique a Todt Hill no distrito de Staten Island, em Nova York. A cultura tibetana é celebrada em Hollywood e nas artes populares. Os exilados são em 130 mil; cerca de 6 milhões de tibetanos vivem no Tibete e na China.

No entanto, uma visão mais obscura do futuro tibetano é facilmente prevista. Este Dalai Lama morre e seu sucessor é jovem e inexperiente, sem nenhuma influência nas salas dos poderosos. Vagarosamente, com relutância, os tibetanos se tornam apenas mais um dos povos sem terra do mundo, perdidos à sombra de uma superpotência em ascensão.

"Definitivamente, quando alguém tão carismático e popular quanto o Dalai Lama falecer, os tibetanos sofrerão uma queda na atenção exterior", diz Tenzin Tethong, um colega da Iniciativa de Estudos Tibetanos na Universidade de Stanford. "Perderemos um poderoso símbolo unificador."

Inovação


O Dalai Lama, vencedor do Nobel da Paz, não é nenhum teocrático tradicionalista. Se o seu povo algum dia recuperar o Tibete, ele diz que um parlamento eleito deveria governar; o Dalai Lama ocuparia uma posição religiosa.
"Ele está pensando de forma inovadora sobre o poder do Dalai Lama", diz Robert Thurman, professor de estudos budistas indo-tibetanos na Universidade de Columbia e autor de "Por que o Dalai Lama Importa". "Ele está tentando colocar nas mentes chinesas que pode ser útil para eles. A espera deles pela sua morte é completamente despropositada."

Budistas tibetanos acreditam em reencarnação, embora não no sentido de uma entidade irredutível passando de corpo para corpo. Eles descrevem uma vela em seu fim acendendo uma nova; a essência de cada um continua.

Geralmente, quando o Dalai Lama morre, a corte real indica um regente, que governa até que a próxima reencarnação tenha idade suficiente. Ao longo dos séculos, alguns regentes gostaram muito de seu poder e alguns Dalai Lamas faleceram prematuramente, para não dizer suspeitosamente. O sentido da regência como um período de risco ainda persiste.

Futuro ‘eu’


É dentro deste contexto que o Dalai Lama especula sobre como conseguir sua próxima reencarnação. Talvez as quatro seitas que constituem o Budismo Tibetano possam formar uma versão tibetana do Colégio Católico Romano de Cardeais e escolher um sucessor. Talvez ele volte como uma menina, ou como um não-tibetano.
Ou talvez ele escolha seu futuro "eu".
Thurman oferece seu próprio palpite. O Dalai Lama, diz ele, pode declarar que um jovem lama é a reencarnação de seu próprio regente, há muito falecido. Então, o Dalai Lama poderia morrer e reencarnar como um novo bebê, que seria identificado após o costumeiro estudo de portentos e sinais. "Talvez aquele que ele indique como a reencarnação do regente transfira o título de Dalai Lama de volta para ele, quando sua próxima reencarnação chegar à maturidade", diz Thurman.

Quem poderia contradizer isso?

A política pode representar uma ameaça tão grande quanto a metafísica. Os chineses insistem que seu exército libertou os tibetanos da escravidão teocrática e que o Tibete é inseparável da China. Eles não são tímidos ao impingir sua lei. Em 1995, o governo chinês rejeitou a escolha do Dalai Lama de um menino de seis anos como reencarnação do Panchen Lama, um líder espiritual no SECT dominante do Budismo Tibetano, e então indicou outro. A criança escolhida pelo Dalai Lama desapareceu sob custódia chinesa.

"O pensamento é um pouco estranho", diz Thurman, "considerando que os comunistas chineses não acreditam em vidas passadas ou futuras e que é ilegal propagar religião na China."

Ainda assim, o poder da China cresce à medida que o Dalai Lama envelhece. Chineses da etnia Han agora amontoaram tibetanos étnicos em Lassa, capital do Tibete, e os exilados estão inquietos, alguns ocupados buscando sinais do que está por vir. Ficar sem um líder transcendental nos dias de hoje é, como D.H. Lawrence escreveu sobre os índios brasileiros, arriscar ser consignado "à poeira onde enterramos as raças silenciosas."

sábado, 6 de dezembro de 2008

Ameaça de boicote X liberdade diplomática

Presidente da França fará reunião com Dalai Lama na Polônia

Primeiro encontro entre os dois líderes é criticado pela China.

Sarkozy almoçará com representantes de nove países do Leste Europeu.

Da France Presse


O presidente francês, Nicolas Sarkozy, irá se reunir neste sábado (6), pela primeira vez, com o Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano, no porto de Gdansk, norte da Polônia, apesar de duras queixas por parte da China e de sua ameaça de boicote a produtos franceses.

Sarkozy chegou por volta das 12h30 (horário local) a Gdansk, onde participará da cerimônia do 25º aniversário da entrega do Prêmio Nobel da Paz ao presidente polonês, Lech Walesa, fundador do histórico sindicato Solidarnosc.

O presidente francês deve se encontrar com o Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz em 1989, às 16h30, no que será a primeira reunião de um presidente francês com o líder tibetano, exilado desde 1959 em Dharamsala, norte da Índia.

"Este encontro será um sinal muito forte para os tibetanos, para nossos compatriotas que lutam encarniçadamente de forma não violenta (...) há tanto tempo", declarou o secretário do Escritório do Tibete em Paris, Wangpo Bashi, a uma emissora francesa.

Desde que o encontro foi anunciado, há várias semanas, a China pressiona a França para voltar atrás, chegando a cancelar uma cúpula China-União Européia (os franceses ocupam atualmente a presidência rotativa do bloco), que deveria ter acontecido no dia 1º de dezembro em Lyon, centro-oeste da França, e uma cúpula bilateral, que seria realizada no palácio do Eliseu.

Agora, Pequim ameaça instituir um boicote aos produtos franceses. A China já havia feito pressões semelhantes em julho e agosto, quando o presidente francês informou que não sabia se compareceria à abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Após uma visita de Sarkozy à capital chinesa no fim de 2007, empresas francesas obtiveram contratos no valor de 20 bilhões (25 bilhões de dólares) de euros com o país.

Em agosto, durante uma visita Paris, o Dalai Lama precisou se conformar com um encontro com a primeira-dama francesa, Carla Bruni Sarkozy, e com uma reunião com o chanceler, Bernard Kouchner.
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Do Portal de notícias G1.globo.com

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Oportunidades

"Por um lado, ter um inimigo é muito ruim. Perturba nossa paz mental e destrói algumas de nossas coisas boas. Mas, se vemos de outro ângulo, somente um inimigo nos dá a oportunidade de exercer a paciência. Ninguém mais do que ele nos concede a oportunidade para a tolerância. Já que não conhecemos a maioria dos cinco bilhões de seres humanos nesta terra, a maioria das pessoas também não nos dá oportunidade de mostrar tolerância ou paciência. Somente essas pessoas que nós conhecemos e que nos criam problemas é que realmente nos dão uma boa chance de praticar a tolerância e a paciência."

Dalai Lama

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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Qual a melhor religião?

Leonardo Boff pergunta a Sua Santidade Dalai Lama:

"Santidade, qual é a melhor religião?"

Sua Santidade responde:

"Aquela que te faz sentir mais compassivo, mais sensível, mais desapegado, mais humanitário, mais responsável, mais amoroso. A religião que consegue fazer isso de ti é a melhor religião"

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Impermanência III

Tenzin Gyatso, the fourteenth and current Dala...Image via WikipediaPerguntaram ao Dalai Lama:

- O que mais te surpreende na Humanidade?
E ele respondeu:

"- Os homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido."


"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."


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