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domingo, 18 de janeiro de 2009

Cinco Vidas

Esse texto de Thich Nhat Hanh me lembrou o recém lançado filme de Gabriele Muccino "Sete Vidas" com Will Smith.

"Na psicologia budista, o reconhecimento que você fez algo errado e se sente arrependido por isto, pode ser uma energia positiva e boa. É uma das formações mentais identificadas como "indeterminadas", porque pode ser boa ou pode ser ruim. Mas se aquele sentimento se torna um tipo de prisão, um complexo de culpa, não lhe permitindo fazer qualquer coisa, se você for capturado por isto, então se torna algo negativo. Com a consciência que você fez algo injusto, que fazendo algo errado causou sofrimento dentro de você e para pessoas ao redor você, e se está incentivado pelo desejo de não fazer mais, não repetir mais, então você pode alcançar uma transformação. Você se compromete a não fazer isto, e não só não fazer mais isto, mas fazer o oposto. Então você pode adquirir a transformação e cura que deseja.

Durante a guerra no Vietnã, um soldado americano ficou muito bravo porque muitos dos seus amigos tinham morrido em uma emboscada organizada por guerrilhas. Por causa daquela raiva ele tentou se vingar criando ele mesmo uma emboscada. Assim, foi para a aldeia onde a emboscada tinha acontecido e deixou uma bolsa de sanduíches à entrada da aldeia, se escondeu atrás das árvores e observou. Ele tinha posto veneno nos sanduíches. Eram sanduíches muito bons, mas ele os abriu e pôs veneno dentro. Ele realmente não sabia o que estava fazendo, sendo levado completamente pela raiva e pelo desejo de vingança. Um grupo de crianças passando, achou os sanduíches e os compartilharam entre si. Cinco minutos depois de comer, elas começaram a segurar os seus estômagos e chorar, e seus pais vieram. Era uma aldeia remota. Os pais tentaram achar um carro para transportá-las para o hospital mais perto que estava a várias dúzias de quilômetros. O soldado sabia perfeitamente bem que não havia nenhum modo para salvá-los. Cinco crianças morreram por causa da emboscada.

Ele não pôde contar para ninguém aquela história. Por mais de dez anos ele não estava em paz consigo mesmo. Toda vez ele que estava sentando em um quarto com crianças, não podia agüentar e saia do quarto. Isto continuou até o dia em que ele veio a um retiro organizado por Plum Village no sul da Califórnia. Aquele retiro era especialmente organizado para veteranos do Vietnã. Os seus psicoterapeutas e as suas famílias também vieram para apoiar a prática. Eles se organizaram em grupos pequenos de cinco ou seis pessoas, e nós pedimos a muitos vietnamitas que vivem em comunidades vizinhas que viessem nos apoiar. Nós praticamos meditação sentada e escuta profunda, e lhes demos uma chance para falar.
(...)
O veterano que tinha matado cinco crianças pôde nos contar a história depois de fazer muitos esforços. Eu lhe disse: "Certo, você matou cinco crianças e se sente arrependido por isto. Mas eu quero que você saiba que crianças continuam morrendo diariamente e não só no Terceiro Mundo, mas também na América. Muitas crianças sofrem abusos; muitas crianças morrem por razões diferentes. Há crianças que morrem só porque elas precisam de uma dose de remédio que não podem dispor. Você sabia que se quisesse poderia salvar cinco ou dez crianças diariamente? Por que você fica apegado a esse complexo de culpa e destrói sua vida? Você ainda é jovem e pode fazer algo. É bom ver que você sabe que fez algo injusto e lamenta isto. Mas isso não é o suficiente, porque há coisas práticas que você pode fazer para ajudar as crianças. Se você quiser, nós lhe contaremos o que fazer para salvar cinco crianças hoje e cinco crianças amanhã. Se você praticar assim durante alguns meses, verá as cinco crianças que morreram no Vietnã sorrirem em você e você adquirirá transformação e cura.
(...)
Qualquer que seja a natureza de seu sofrimento, qualquer que sejam os erros que você cometeu, seja qual for a categoria a que eles pertençam, você pode praticar desse mesmo modo. Você faz um compromisso para não repetir mais e faz um compromisso para fazer o oposto, enquanto se transforma em um instrumento de amor e entendimento. No momento em que recebe os Cinco Treinamentos de Plena Consciência você pode se tornar outra pessoa. Transformação pode acontecer desde o começo. Muitas pessoas, no momento que recebem Treinamentos de Plena Consciência, sentem-se maravilhosos, como se fossem seres novos, por causa daquela energia que chamamos de voto, a determinação para viver nossas vidas de modo que se possa trazer alívio a muitas pessoas que sofrem."

(Discussão de Dharma dada por Thich Nhat Hanh no dia 27 de julho de 1998 em Plum Village, França)
Extraído do Blog Sanga Virtual

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

E-mail de um morador de Itajai

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Meus amigos,

Ontem 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão,mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.

As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.

Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperará-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.

Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:

- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros;

- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma;

- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral;

- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás;

- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas;

- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas;

- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava;

- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas;

- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração;

- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.



Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:



- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma;

- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver;

- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença;

- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida;

- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul;

- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões de mantimentos;

- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram como veteranos;

- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram, orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas;

- Aos Médicos Voluntários;

- Às enfermeiras Voluntárias;

- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos;

- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso;

- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar;

- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade;

- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa;

- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem;

- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos;

- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem;

- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa;

- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou;

- A todos que oraram por todos;

- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas;

- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira;

- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente;

- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém;

- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.


Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:


COMEÇAR DE NOVO


Eu tinha medo da escuridão

Até que as noites se fizeram longas e sem luz

Eu não resistia ao frio facilmente

Até passar a noite molhado numa laje

Eu tinha medo dos mortos

Até ter que dormir num cemitério

Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires

Até que me deram abrigo e alimento

Eu tinha aversão a Judeus

Até darem remédios aos meus filhos

Eu adorava exibir a minha nova jaqueta

Até dar ela a um garoto com hipotermia

Eu escolhia cuidadosamente a minha comida

Até que tive fome

Eu desconfiava da pele escura

Até que um braço forte me tirou da água

Eu achava que tinha visto muita coisa

Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas

Eu não gostava do cachorro do meu vizinho

Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar

Eu não lembrava os idosos

Até participar dos resgates

Eu não sabia cozinhar

Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome

Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras

Até ver todas cobertas pelas águas

Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome

Até a gente se tornar todos seres anônimos

Eu não ouvia rádio

Até ser ela que manteve a minha energia

Eu criticava a bagunça dos estudantes

Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias

Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos

Agora nem tanto

Eu vivia numa comunidade com uma classe política

Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora

Eu não lembrava o nome de todos os estados

Agora guardo cada um no coração

Eu não tinha boa memória

Talvez por isso eu não lembre de todo mundo

Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos

Eu não te conhecia

Agora você é meu irmão

Tínhamos um rio

Agora somos parte dele

É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio

Graças a Deus

Vamos começar de novo.



É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente.
Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer
como ser humano.

Pelo menos é a minha hora, acredito.



Que Deus abençoe a todos.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Assim mesmo...

Muitas vezes as pessoas são egocêntricas,
ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem acusá-la de
egoísta, interesseira.
Seja gentil assim mesmo.

Se você é vencedora, terá alguns falsos
amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.

Se você é honesta e franca,as pessoas
podem enganá-la.
Seja honesta e franca assim mesmo.

O que você levou anos para construir,
alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.

O bem que você faz hoje pode
ser esquecido amanhã.
Faça o bem assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor
de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja você que, no final das contas,
é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as outras pessoas.

Madre Teresa de Calcutá

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A mente desperta tem que ser engajada

"Quando eu vivia no Vietnã, muitas das nossas aldeias foram bombardeadas. Em conjunto com meus irmãos e irmãs monásticos, tive que decidir o que fazer. Deveríamos continuar nossas práticas nos mosteiros ou deveríamos sair dos templos de meditação para ajudar as pessoas que sofriam com as bombas? Após uma reflexão cuidadosa, resolvemos fazer as duas coisas: sair para ajudar as pessoas e fazer isso com a plena consciência. Chamamos essa prática de budismo engajado. A plena consciência tem que ser engajada. Se existe a visão, tem que existir a ação. Do contrário, de que valeria a visão?

Devemos estar alertas para os verdadeiros problemas do mundo. Assim, com plena consciência, saberemos o que fazer e o que não fazer para ajudar. Se nos mantivermos cientes da nossa respiração e continuarmos a praticar o sorriso, mesmo em situações difíceis, muitas pessoas, animais e plantas irão se beneficiar da nossa forma de agir. Você massageia a Mãe Terra cada vez que o seu pé a toca? você costuma plantar sementes de alegria e paz? Eu tento fazer exatamente isso a cada passo, e sei que a Mãe Terra aprecia imensamente. A paz a cada passo. Vamos continuar nossa jornada?"

Thich Nhat Hanh
Do Blog Interser

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um país em busca da felicidade

Thimphu, a capital do Butão, estará em festa nos dias 6, 7 e 8 de novembro. O jovem Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, de 28 anos, receberá de seu pai a coroa real e se tornará o Quinto Rei do Butão. Essa transição de poder, com data recomendada pelos três principais astrólogos do país, é mais um marco da transformação que acontece no reino encravado nos vales do Himalaia. Quem cede a coroa é o Quarto Rei, Jigme Singye Wangchuck. Ele abdicou do trono em dezembro de 2006, em favor de seu filho mais velho, mesmo estando em excelente estado de saúde e com apenas 50 anos de idade. Sua atitude surpreendeu o país, pois Jigme Singye foi e continua sendo querido – quase venerado – por uma maioria esmagadora da população.

Jigme Singye ainda estipulou, na nova Constituição proposta por ele, que os próximos reis deverão obrigatoriamente renunciar aos 65 anos. Também convenceu seus súditos a eleger, por voto direto, em março de 2008, uma Assembléia Nacional e aceitar que o líder do partido majoritário fosse o primeiro-ministro. No ano passado, o rei visitou cidades e vilarejos dos 20 dzongkhags (distritos) para persuadir a população tradicional – ainda atada ao sistema monárquico – a votar, pois essas reformas seriam positivas. Seu recado: só existe um futuro para o reino, a democracia. Uma postura de desapego ao poder é tão raramente registrada que o monarca foi considerado pela revista Time, em 2006, como uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Uma das explicações para essa atitude é a importância do budismo no Butão.
O plano do Quarto Rei era bem maior do que continuar regendo: transformar o poder absoluto do rei em uma monarquia constitucional. E incluir a felicidade como meta principal de sua nação. Inspirado pelos princípios budistas da compaixão e da harmonia, Jigme Singye cunhou, nos anos 80, o conceito de Felicidade Interna Bruta. A FIB pretende ser uma medida alternativa ao conhecido Produto Interno Bruto e ir mais além do total de serviços e mercadorias produzidos por um país.

Ao propor um conceito que sublinhava o bem-estar do indivíduo e da sociedade, as palavras de Jigme Singye cruzaram os picos do Himalaia e os oceanos do globo. Há algumas décadas, pensadores e economistas alternativos vêm considerando o tradicional PIB como uma medição limitada e, em alguns casos, errônea, pois considera elementos negativos da sociedade como positivos. Como o PIB avalia apenas o movimento do dinheiro, se metade dos carros de uma cidade caísse num abismo, as revendedoras de veículos, os fabricantes de peças automotivas ou as oficinas mecânicas aumentariam suas vendas – e o PIB subiria. Se um país destruísse suas florestas para transformá-las integralmente em produtos básicos, o PIB cresceria (embora o país tivesse perdido seu capital natural).

Medir valores intangíveis como a felicidade, porém, é uma tarefa complexa. Até porque cada pessoa a entende de forma distinta. Segundo o Plano Qüinqüenal do Butão, a FIB assenta-se sobre quatro pilares: desenvolvimento socioeconômico sustentável e eqüitativo, conservação ambiental, promoção do patrimônio cultural e boa governança. Para o Butão, não basta analisar o velho PIB – talvez porque ele seja um dos mais baixos do planeta, com apenas US$ 3,36 bilhões. O governo butanês adotou a FIB, criou uma coleção de novos indicadores socioambientais e passou a usá-los como um componente estratégico da política de planejamento nacional. Em discurso na ONU no final de setembro, o primeiro-ministro do Butão, Jigmi Thinley, defendeu a FIB: “É responsabilidade do Estado criar um ambiente que permita aos cidadãos buscar a felicidade”.

Leia matéria completa no site da Revista Época

domingo, 28 de setembro de 2008

Pense...

O fato de milhões de criaturas compartilharem os mesmos vícios não os transformam em virtudes; o fato delas praticarem os mesmos erros não os transformam em verdades e o fato de milhões de criaturas compartilharem a mesma forma de patologia mental não torna estas criaturas mentalmente sadias.

Erich Fromm

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Bicho não é brinquedo

por Aline Angeli

"Há um ano, mais ou menos, decidi experimentar a vida fora de São Paulo e empacotei minha casa rumo ao Nordeste. Num caminhão, foi a mudança. De avião, seguimos eu, minha mala e mais duas caixas de transporte contendo 12 quilos de gato – o peso que meus dois felinos vira-latas, a Cuca e o Chicó, representaram para a companhia aérea. Muita gente achou graça da minha excentricidade: “Você vai levar os gatos?!?”, surpreendiam-se. Ora, era e-vi-den-te que eu ia. Jamais me ocorreu outra hipótese. Por mais trabalho que tenha dado (a burocracia exigida para levar um bicho a bordo é um teste de paciência), os dois são parte da minha família. O vínculo, a alegria de poder compartilhar com eles meu dia-a-dia e o aprendizado que resulta desse compromisso valem mil vezes o esforço. Sabe a célebre frase de O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”? É exatamente isso. Ou pelo menos deveria ser."

“Infelizmente,muitas pessoas que se encantam com um filhote numa loja de animais não se dão conta de que levar um bicho para casa significa assumir um contrato de fidelidade que pode durar muitos anos, o tempo de vida do bicho”, afirma Marco Ciampi, presidente da Arca Brasil, uma das primeiras ONGs brasileiras a difundir o conceito de posse responsável, um conjunto de atitudes que visam a ética, o respeito e o bem-estar animal. Está lá, na Declaração Universal dos Direitos dos Animais – é, eles têm uma, proclamada pela Unesco, em 1978: “O animal que o homem escolher como companheiro nunca deverá ser abandonado”. Mesmo assim, só no Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, cerca de 60 cães e gatos (muitos, inclusive, de raça) são despejados por dia pessoalmente por seus donos. Os motivos para o abandono variam de explicações como “ah, ele não sabe se comportar”, até “ela está velha demais” ou “ficou grande demais para meu apartamento”.

Certamente você já ouviu falar de que ter um bicho faz bem ao humor e até à saúde.Nos últimos anos, dezenas de pesquisas se empenharam em mostrar o poder da amizade com animais sobre problemas como hipertensão, depressão e até sobre a qualidade de vida de doentes crônicos.Mas será que nós, humanos, sabemos fazer bem ao humor e à saúde de nossos bichos? Hummmm… Nem sempre. Mesmo que você não seja tão frio para abandoná- lo à própria sorte e esteja cheio de boas intenções. “As pessoas, em geral, são bastante sensíveis à causa dos animais”, comenta Ciampi.“O problema é que, na mesma medida em que há simpatia, há desinformação.” Bichos têm, sim, emoções como alegria, tristeza e medo, mas mostram isso de uma maneira que nem sempre a gente entende. Esforçar-se para compreender o universo dos outros seres vivos que convivem conosco e tratá-los com respeito e responsabilidade é condição essencial para viver de forma ética e em equilíbrio.

Conheça a seguir quais são os erros mais comuns que cometemos com a bicharada e tire ainda mais prazer e alegria dessa relação.

Bicho para quê?

Essa é a primeira pergunta que todo mundo deveria se fazer antes de comprar ou adotar um mascote. Se a resposta for “para convivência e amizade”, bingo! Cães e gatos são grandes companheiros, que precisam e gostam do contato próximo com seus donos. Mas há duas respostas erradas bastante freqüentes. A primeira delas: “Porque as crianças querem”. Adotar um animal deve ser uma decisão de toda a família, e os pais precisam estar conscientes de que, por mais que os filhos prometam cuidar dele, vai, sim, sobrar trabalho para os adultos. Além disso, como não têm noção de que cães e gatos também sentem frio, fome, dor e tristeza, crianças com menos de 6 anos não são uma companhia segura, especialmente se ele for filhote.

Outra motivação equivocada é ter um animal “para proteção”. Confinar um cão no fundo do quintal e privá-lo do convívio da família imaginando que assim ele será mais bravo é um engano perigoso.“O correto é apostar na inteligência do animal, socializá-lo e adestrálo adequadamente, para que ele saiba distinguir quando deve ou não atacar”, afirma a veterinária Hannelore Fuchs, de São Paulo, especialista em comportamento animal.
Em vez de dar um destino tão miserável a uma vida, que tal instalar equipamentos eletrônicos de segurança? Dá menos trabalho e sai muito mais barato.

Sinal amarelo

No caso de cães e gatos, xixi fora do lugar, agressividade, hiperatividade, destruição de móveis e excesso de ruídos são algumas das principais causas de abandono – para espécies exóticas, como cobras e lagartos, é mais comum o bicho crescer além do que os donos imaginavam. É preciso saber, porém, que isso não ocorre por má intenção do animal. Bichos não possuem sentimentos humanos complexos como vingança, culpa ou ciúmes, afirma o psicólogo americano Marc Hauser, da Universidade de Harvard, autor do livro Wild Minds (em português, “mentes selvagens”, inédito no Brasil). Para eles, tudo é uma questão de medo, tédio, tristeza e atenção.

Em outras palavras: por trás de um cão, um gato ou um papagaio mal comportado, pode haver uma criação inadequada na infância, falta de atenção, excesso de energia para gastar ou simplesmente estresse.

Focinho de um…

Além dos traços físicos, cada raça possui características temperamentais e necessidades bastante distintas. E é preciso ver se elas se adaptam a você e ao seu estilo de vida, para não sofrer mais tarde. Levar para um apartamento cães de caça como um dachshund, que adora correr e cavocar a terra, ou deixar a maior parte do dia sozinhos um collie ou um terrier, que carecem de muita atenção e estimulação, é sinônimo de problema. “Informar-se sobre o animal antes de levá-lo para casa é uma forma de respeito a ele e o único meio de atender às suas necessidades básicas”, afirma a veterinária e etóloga Rubia Burnier.
Há um tipo de bicho, porém, que não tem restrição e é quase unanimidade entre os especialistas. Sabe qual? O vira- lata. “Ele tem mais capacidade de se adaptar aos diversos ambientes, é o mais independente, o mais fácil de trabalhar e o mais fiel”, diz Rubia. Além disso, é o mais saudável geneticamente, pois não foi submetido aos sucessivos cruzamentos consangüíneos que os criadores fazem nas raças mais “puras”.

Se você gosta realmente de seu amigo, precisa ensiná-lo a ficar feliz também sozinho. Uma das melhores formas é dar-lhe o direito de viver com um companheiro da mesma espécie, criando dois animais. Outra é acostumá-lo gradativamente a ser mais independente e fazer com que ele associe sua ausência com algo prazeroso, como uma caixa de brinquedos que o bicho acessa somente quando fica só.

Prole sob controle

Castração. A palavra, sem dúvida, é horrível: lembra mutilação, censura, agressão. Talvez por isso, muitos donos tenham tanta resistência e pena de esterilizar seus animais. Grande engano, dizem os especialistas.
“Esse é um dos principais atos da posse responsável”, afirma Hannelore. Só assim se podem evitar as crias indesejadas e a superpopulação de bichos abandonados, causa de um interminável ciclo de sofrimento e crueldade. Por mais que você consiga donos para uma ninhada, jamais poderá ter certeza de que eles, e seus futuros filhotes, serão bem tratados.
“Para o animal, não há vantagem alguma em deixar que ele se reproduza”, explica Hannelore. Pelo contrário: a castração, uma cirurgia de recuperação rápida, diminui as chances de tumores nas fêmeas e de inflamação da próstata e testículos nos machos, além de acabar com vários comportamentos sexuais indesejados, como a agressividade, a vontade de fugir para cruzar ou a necessidade de demarcar território com urina.

Se depois de ler tudo isso você passou a pensar duas vezes antes de trazer a companhia de um animal para a sua vida, ótimo: era essa a intenção. Significa que você acaba de ganhar um atestado de dono responsável – mesmo que,depois de refletir, tenha chegado à conclusão de que, por enquanto, o melhor para o seu caso seja curtir esporadicamente as estripulias do bicho de algum amigo.

Leia reportagem completa no site da revista "Vida Simples"

domingo, 17 de agosto de 2008

Será que o sofrimento é realmente necessário?

Sim e não.

Se você não tivesse sofrido o que sofreu, não teria profundidade como ser humano, não teria humildade nem compaixão. Não estaria lendo este texto agora. O sofrimento rompe a casca do ego - do "eu" autocentrado - e promove uma abertura até atingir um ponto em que cumpriu sua função.

O sofrimento é necessário até que você se dê conta de que ele é desnecessário.

Eckhart Tolle é escritor e conferencista.

Extraído do Blog Esteja aqui e agora

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Ambientalistas fazem abaixo-assinado contra gorro do papa

(Folha de São Paulo, 13/08/08)

da Efe, em Roma

A Aidaa (Associação Itália para a Defesa dos Animais e do Meio Ambiente) conseguiu em pouco menos de um mês mais de 2.500 assinaturas pela rede para pedir ao papa Bento 16 que renuncie a usar peças com pele de arminho.

Desde o começo de seu pontificado, Ratzinger recuperou do vestuário papal peças como o camauro, um gorro de veludo com pele de arminho branco que os papas usavam no inverno.

A Aidaa apresentará ao pontífice, no final de setembro, uma carta acompanhada das assinaturas que começaram a ser coletada em 21 de julho no site www.firmiamo.it/.

Internautas pedem para que o papa Bento 16 pare de usar gorro com pele de animal
Nessa carta, o presidente da Aidaa, Lorenzo Croce, explica que a "pequena e significativa renúncia pessoal" por parte do pontífice se transformará em um "forte sinal para a tutela dos animais e do meio ambiente".

Nestas semanas, cidadãos italianos e estrangeiros assinaram o pedido, e alguns deles acompanharam sua adesão com um comentário.

"Existe uma diferença entre nutrir-se e enfeitar-se. Jesus Cristo saciou materialmente e espiritualmente os homens, mas lembre que o único 'adorno' que usou foi uma coroa de espinhos e um manto que colocaram nele para humilhá-lo", escreve um dos signatários.

Há quem aconselhe Bento 16 a seguir a tradição papal, mas usando peles sintéticas.

Outro dos complementos que o pontífice recuperou é a chamada mozeta, vestimenta muito habitual entre os cardeais, e cuja versão de inverno é em veludo e com arminho. Até agora, o Vaticano não respondeu a nenhum desses apelos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Sentimentos

(Mário Prata)


SAUDADE é quando, o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue;

LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo;

ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego;

PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento;

INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa;

CERTEZA é quando a idéia cansa de procurar e pára;

INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido;

PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista;

VERGONHA é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora;

ANSIEDADE é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja;

INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento;

SENTIMENTO é a linguagem que o coração usa quando precisa mandar algum recado;

RAIVA é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes;

TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração;

FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma;

AMIZADE é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros;

CULPA é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia;

LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário;

RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato;

VONTADE é um desejo que cisma que você é a casa dele;

PAIXÃO é quando apesar da palavra 'perigo' o desejo chega e entra;

AMOR é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.

domingo, 3 de agosto de 2008

Ku-Klux-Klan


Lá estão eles, cristãos de diferentes matizes, a protestar em frente ao Senado contra a votação da lei que criminaliza a homofobia. Um deles brande um cartaz com os dizeres: E o que faremos com a Bíblia? A rasgaremos?

Lá estão eles, em Brasília, guardiões zelosos da palavra divina, a lutar em sua jihad particular (e insana) a favor do preconceito e do retrocesso. Preocupam-se com o que farão com a Bíblia. Não se preocupam com o que sentem homossexuais quando são ridicularizados, agredidos, desrespeitados e condenados.

Que espécie de cristãos são esses, que carregam com orgulho e arrogância as bandeiras escuras do preconceito? Não desrespeitam em primeiro lugar ao próprio Cristo, que pregava a compaixão?

Notem: não se discute ali a união de pessoas do mesmo sexo. Não se discute ali a descriminalização do aborto, ou da maconha, temas mais complexos, embora igualmente urgentes e, na minha opinião, passíveis de imediata avaliação, discussão e aprovação. Discute-se apenas a possibilidade de se transformar em crime o desrespeito aos homossexuais. Notem: discute-se apenas um direito básico, humano, de respeito às opções sexuais de cada um.

Na última edição de VEJA, o colunista André Petry (leia) observa que nos anos 60 do século passado, nos Estados Unidos, membros da organização racista Ku-Klux-Klan também protestavam contra a criminalização do preconceito contra negros. É fato. "Então poderemos ir para a cadeia por fazer piadas com crioulos?", protestavam os membros da KKK. "E a nossa liberdade de fazer piadas com crioulos? Como fica?", argumentavam. "E nossa liberdade de queimar-lhes as casas, açoitar-lhes as costas, tirar-lhes as vidas, como fica?"

A Ku-Klux-Klan faria boa companhia aos cristãos homofóbicos de Brasília.


Da coluna do Tony Bellotto (Revista Veja)
Zemanta Pixie

terça-feira, 29 de julho de 2008

A Gen Kelsang Panchen


Aprendi com meu primeiro professor de Dharma, que uma prática poderosa era o regozijo. Quando você se sente feliz com a felicidade dos outros, elimina a inveja, o egoísmo.
Existem práticas do dia-a-dia que se tornam mais poderosas que horas de meditação, pois modificam o nosso padrão de pensamento. Se em tudo que formos fazer ou receber, desejarmos que todos os seres se beneficiem disso também, sentimos a compaixão mais de perto, além de reconhecermos que somos muito afortunados.
Certa vez, estava muito aborrecida porque tinha que limpar a minha casa e andava muito deprimida, quando me lembrei desse ensinamento. Enquanto limpava, desejava que todos os seres pudessem ter a proteção de uma casa como a minha, o conforto de uma cama, a água ao alcance de uma torneira, o alimento(e o dharma) sempre à mão, enfim, uma casa pra limpar...
Não me esqueço do estado de felicidade e plenitude que experimentei nesse dia. Foi a minha primeira lição prática de dharma.
Hoje estou longe desse meu primeiro mestre, mas ele continua iluminando meu caminho, como fez quando eu o conheci.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Hoje eu sei


Hoje eu sei que a compaixão é capaz de transformar o mundo e transformar o ser.

Hoje eu sei que a compaixão pode ser desenvolvida, cultivada, que as áreas do cérebro responsáveis pela compaixão podem ser estimuladas.

Hoje eu sei que é possível "musculação de neurônios" através da meditação e do pensamento amoroso, terno, inclusivo, compreensivo, sábio.

Hoje eu sei que Buda se manifesta em cada ser que se entrega à bondade e ao Caminho do Bem, que é o Caminho Iluminado.

Hoje eu sei que a Verdade é o Caminho. A Verdade com "V" maiúsculo, onde tudo está incluso - até mesmo as mentiras.

Hoje eu sei que não sei, que não há nem mesmo um "eu" que sabe e não sabe.

Hoje eu sei que intersomos, interconectados com tudo que existe. Somos um só corpo e uma só vida. Estamos em rede. Na rede de Indra, feita de raios luminosos e em cada intersecção uma jóia recebendo e emitindo raios em todas as direções.

Hoje eu sei que somos co responsáveis pela realidade em que vivemos, pelo mundo em que estamos e que não adianta reclamar, é preciso agir para transformar.

Hoje eu sei que a juventude passa, os amores passam, a velhice passa, os desamores passam. Tudo é transitório e passageiro. O que se une inevitavelmente se separa. E assim é.

Hoje eu sei que a pessoa mais forte é aquela que se bende primeiro - assim como o bambu - flexível.

Hoje eu sei que a água é capaz de se moldar ao recipiente que a contém e que o gelo é duro e pode ferir. Então faço dos ensinamentos sagrados o sol que derrete o gelo e nos liberta de nossa própria frieza.

Hoje eu sei que é preciso sentir, que a indignação é uma alavanca para as grandes transformações e que as grandes transformações são feitas de pequenos gestos simples no dia a dia.

Hoje eu sei que palavras amorosas e ternas afetam as moléculas de água e que somos mais de 75% água. Então eu cuido do que falo, do que penso e como ajo.

Hoje eu sei que a mudança depende de mim, de cada um de nós. E que só há um caminho: ação amorosa e não violenta para resolver conflitos e atritos.

Hoje eu sei que a vida vale a pena ser vivida em sua plenitude deste instante eterno.

E tudo que temos é este instante. Aqui e agora.

Mãos em prece

Monja Coen

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sobre nós e os animais

"Se a inteligência é fonte de superioridade e os animais são seres inferiores, então também haverá seres humanos superiores, porque são mais inteligentes que outros, e logo seres humanos inferiores, o que conduziria a que existissem uns com mais direitos que outros. Os animais têm tanto direito a não sofrer como os humanos."
Miguel Moutinho


"Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhoram, nem tomam em consideração, as condiçõeses dos animais."
Abraham Lincoln


"Enquanto estivermos matando e torturando animais, vamos continuar a torturar e a matar seres humanos - vamos ter guerra. Matar precisa ser ensaiado e aprendido em pequena escala; enquanto prendermos animais em gaiolas, teremos prisões, porque prender precisa ser aprendido em pequena escala; enquanto escravizarmos os animais, teremos escravos humanos, porque escravizar precisa ser aprendido em pequena escala."
Edgar Kupfer-Koberwitz


"Como zeladores do planeta, É nossa responsabilidade lidar com todas as espécies com carinho, amor e compaixão. As crueldades que os animais sofrem pelas mãos dos homens estão além de nossa compreensão. Por favor, ajudem a parar com esta loucura."
Richard Gere

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Verdadeira compaixão


"Por muito grande que seja a vossa veneração pelos mestres tibetanos e o vosso amor pelo povo tibetano, não falem mal dos chineses. As chamas do ódio só podem ser apagadas pelo amor e se o fogo do ódio não se apagar é porque o amor não era ainda suficientemente forte."

Dalai Lama - 03/2008

quarta-feira, 11 de junho de 2008

São Francisco, meu bodhisatva preferido

Deus é Deus

Por São Francisco de Assis


Vendo a obra, vejo Deus;
sentindo Deus, sou Amor.
Oh!... quantas coisas se escondem de mim, de vós, de todos, filhos do Criador.
Sinto-me nada, ante a grandeza do universo; sinto-me verme, pelas belezas que desconhece o meu coração.

Deus tem filhos no mar, nas estrelas, no ar;
Deus tem filhos nas árvores e na terra.
Deus tem filhos até nas guerras.

Que beleza a função da natureza!...
Vejo a luz surgir no escuro,
vejo a vida perfeita nos monturos;
vejo o céu nas águas do mar,
vejo e sinto o Amor no amar.

Quando descanso, a natureza trabalha;
quando durmo, a natureza trabalha;
quando trabalho, a natureza trabalha;
Que eu sou?... Nada, diante desta batalha.

Deus é Deus dos justos,
Deus é Deus dos párias,
Deus é Deus dos que viajam,
Deus é Deus dos que ficam em casa!...
Deus é Deus das sombras,
Deus é Deus da luz,
Deus é Deus das trevas,
Deus é Deus de Jesus!...

Quando estou cansado, Deus está ocupado;
quando estou reclamando, Deus esta obrando.
Quando blasfemo, Deus esta entendendo;
quando tenho ódio, Deus esta amando.
Quando estou triste, Deus esta sorrindo.

Deus é Sabedoria e eu estou sonhando!...
Que beleza a natureza!...
Que beleza a profundeza da existência, e do existir.
Eu não compreendo, mas luto para me corrigir, porém, em frações do tempo, logo quero ajuntar e Deus repartir.
Quero colher, quero usurpar; e Deus passa por mim a semear!...
Luto de novo, mas ainda não sei lutar;
penso na disciplina, mas não me deixo disciplinar.
Avanço... caio! torno a avançar.
E Deus me ouve, passa novamente pôr mim, olha para meus olhos, sente meu coração. E fala baixinho em meu ouvido: vem, vou te ensinar a amar.
Deus se retira!... sinto sua ausência!... Peço clemência! Mesmo assim, Deus não se esquece de mim.
Manda um anjo em meu encalço, num carro fulgurante de luz.
E de braços abertos, caio por terra; pensei que era o Cristo de Deus, que era Jesus!
E o cortejo dos céus entra em mim, em cântico de louvor.
Abre o meu coração, deixando dentro dele um tesouro de luz!...
O tesouro da dor.

Alguma dúvida de que se trata de um ser iluminado? Não sabemos ao certo, mas temos muitas dessas lanternas entre nós. Muitos ficaram conhecidos no mundo todo como Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Chico Xavier, Padmasambhava, mas existem muitos anônimos entre nós. Precisamos muito acreditar nisso. Acreditando em Deus, Buda, Maomé, Krishna, não importa. Isso é iluminação.
São Francisco é meu "preferido" pela sua história de desapego, compaixão por todos os seres e por sua poesia.


Zemanta Pixie

terça-feira, 27 de maio de 2008

Libertação Animal

Dentre os muitos vídeos que defendem a compaixão pelos animais, esse foi o único que consegui assistir até o final...