domingo, 6 de janeiro de 2013

Ilusão

Num sentido espiritual, não é muito efetivo tentar mudar o mundo externo para evitar nosso sofrimento. Por exemplo, se nos olhamos num espelho e vemos um rosto sujo, poderíamos pensar "Oh, que rosto imundo!" e rapidamente pegar um pano e esfregar o espelho. Esta não é a forma de nos livrarmos da face suja que vemos.

Uma vez tendo realizado que o que está refletido é nossa própria face, podemos mudar a aparência no espelho simplesmente lavando o rosto. Não obteremos resultados lavando o sofrimento de nossas circunstâncias,mas reconhecendo nossa mente como a causa original, podemos nos modificar.

Chagdud Tulku Rinpoche, em "Vida e Morte no Budismo Tibetano",

domingo, 29 de janeiro de 2012

Desfazendo equívocos




Se você quer milagres, não procure o budismo. O supremo milagre para o budismo é você lavar seu prato depois de comer.

Se você quer curar seu corpo físico, não procure o budismo. O budismo só cura os males de sua mente: ignorância, cólera e desejos desenfreados.

Se você quiser arranjar emprego ou melhorar sua situação financeira, não procure o budismo. Você se decepcionará, pois ele vai lhe falar sobre desapego em relação aos bens materiais. Não confunda, porém, desapego com renúncia.

Se você quer poderes sobrenaturais, não procure o budismo. Para o budismo, o maior poder sobrenatural é o triunfo sobre o egoísmo.

Se você quer triunfar sobre seus inimigos, não procure o budismo. Para o budismo, o único triunfo que conta é o do homem sobre si mesmo.

Se você quer a vida eterna em um paraíso de delícias, não procure o budismo, pois ele matará seu ego aqui e agora.

Se você quer massagear seu ego com poder, fama, elogios e outras vantagens, não procure o budismo. A casa de Buda não é a casa da inflação dos egos.

Se você quer a proteção divina, não procure o budismo. Ele lhe ensinará que você só pode contar consigo mesmo.

Se você quer um caminho para Deus, não procure o budismo. Ele o lançará no vazio.

Se você quer alguém que perdoe suas falhas, deixando-o livre para errar de novo, não procure o budismo, pois ele lhe ensinará a implacável Lei de Causa e Efeito e a necessidade de uma autocrítica consciente e profunda.

Se você quer respostas cômodas e fáceis para suas indagações existenciais, não procure o budismo. Ele aumentará suas dúvidas.
Se você quer uma crença cega, não procure o budismo. Ele o ensinará a pensar com sua própria cabeça.

Se você é dos que acham que a verdade está nas escrituras, não procure o budismo. Ele lhe dirá que o papel é muito útil para limpar o lixo acumulado no intelecto.

Se você quer saber a verdade sobre os discos voadores ou sobre a civilização de Atlântida, não procure o budismo. Ele só revelará a verdade sobre você mesmo.

Se você quer se comunicar com espíritos, não procure o budismo. Ele só pode ensinar você a se comunicar com seu verdadeiro eu.

Se você quer conhecer suas encarnações passadas, não procure o budismo. Ele só pode lhe mostrar sua miséria presente.

Se você quer conhecer o futuro, não procure o budismo. Ele só vai lhe mandar prestar atenção a seus pés, enquanto você anda.

Se você quer ouvir palavras bonitas, não procure o budismo. Ele só tem o silêncio a lhe oferecer.

Se você quer ser sério e austero, não procure o budismo. Ele vai ensiná-lo a brincar e a se divertir.

Se você quer brincar e se divertir, não procure o budismo. Ele o ensinará a ser sério e austero.

Se você quer viver, não procure o budismo, pois ele o ensinará a morrer.

Se você quer morrer, não procure o budismo, pois ele o ensinará a viver.


Reverenda Yvonette Silva Gonçalves

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pedidos para 2012

Que 2012 traga a minha sangha, pra que eu possa seguir meu caminho com mais disciplina e possa perceber a mente com mais amor!


sábado, 19 de novembro de 2011

O esforço no zen


A qualquer hora, em qualquer lugar, você não deve esquecer a sua direção. Por que você come todos os dias? Quando você nasce de onde você vem? Quando morre, para onde vai? "Vir de mãos vazias, ir de mãos vazias- isso é humano." Todos vêm para o mundo sem trazer coisa alguma. Todos partem daqui sem levar nada também. Não podemos carregar nada conosco. No entanto, entre esses dois momentos, todos de...sejam coisas, todos perseguem coisas, e todos ficam muito apegados às coisas. Mas, quando você nasce, tudo já está pronto. Seu carma nessa vida já foi determinado pelo carma que você cultivou em vidas anteriores. Você não pode fazer nada.

Todavia, há uma maneira de modificar isso. Se você puder controlar a sua mente de momento a momento, então será possível mudar a sua vida e evitar que ela seja um produto automático do seu carma. Assim, você deveria direcionar a sua energia para o modo como mantém a sua mente, exatamente agora: quando anda, pára, senta, deita, conversa, está em silêncio ou vive em completa quietude- em qualquer lugar, em qualquer momento- como você mantém a sua mente? As condições e situações exteriores estão constantemente carregando a sua mente para aqui e para ali, para cá e para acolá. É possível encontrar a sua verdadeira natureza em meio a todo este ir e vir, em meio as suas atividades diárias. Isto se chama manter uma mente que não se move.

A Bússula do Zen - Mestre Zen Seung Sahn.

Do blog: http://pensandozen.blogspot.com/2009/01/o-esforo-no-zen.html


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Carma não é destino fixo

Carma é geralmente confundido com a noção de um destino fixo. Mas é mais como uma acumulação de tendências que podem nos travar em certos padrões de comportamento, que por si só resultam em mais acumulações de tendências de natureza similar. [...]

Ser um prisioneiro de carma antigo não é necessário. [...] Aqui está como o estado desperto muda o carma. Quando você medita, está tirando a permissão ...para que seus impulsos se transformem em ação. Nesse intervalo, pelo menos, você está apenas observando-os. Olhando para eles, você rapidamente vê que todos os impulsos na mente surgem e passam, que eles possuem sua própria vida, que não são você -- mas apenas pensamentos --, e que você não precisa ser comandado por eles. Não alimentando ou reagindo aos impulsos, você passa a compreender diretamente a natureza deles como pensamentos.

Esse processo realmente queima impulsos destrutivos nas chamas da concentração, equanimidade e não-ação. Ao mesmo tempo, insights e impulsos criadores não mais ficam tão espremidos pelos mais turbulentos e destrutivos. Eles são nutridos do modo como são percebidos, mantidos no estado desperto.

Jon Kabat-Zinn, em "Wherever You Go, There You Are". (Postado originalmente no blog Samsara)
 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Apego e desapego

- Por que os homens cultivam este sentimento, qual a raiz dele, o que o alimenta? É egoísmo?
R: É a forma de expandir seu ego, agregar a si mais coisas, sentir-se maior mais amplo, evidente que o egoísmo é uma forma de expressar isto.

- Quais as consequências negativas do apego?
R: Sofrimento. Como as coisas são impermanentes é evidente que sofreremos quando as perdermos.

- Quais, são os tipos de apego mais difíceis de trabalhar? Apego a coisas materiais; apego das mães pelos filhos; apego amoroso , apego ao passado (sentimentos de culpa, momentos felizes, mas que já passaram, mágoas, etc); apego a amigos, etc
R: Os apegos mais fortes são os provenientes dos afetos, basta notar que quando se tem um filho doente as pessoas dariam tudo que tem para salvar a sua vida.

- Por que é tão difícil exercitar o desapego, mesmo racionalmente sabendo que ele faz mal para nossa vida?
R: Porque de qualquer forma sentimos que precisamos agregar coisas a nós mesmos para nos sentirmos valiosos, por essa razão o caminho da realização espiritual é esquecer de si mesmo, mas isto é para os que querem se dedicar mais profundamente.

- Como é possível exercitar o desapego (material, sentimental, etc)? De que forma as pessoas podem buscar isso?
R: Primeiro há que entender a impermanência de todas as coisas, se admitirmos isso já teremos dado um grande passo, colocar nossa felicidade na estabilidade das coisas é um grande erro em um mundo onde tudo está sempre mudando.

- O que o desapego (livrar-se do apego) traz de bom para a vida?
R: Uma felicidade tranquila.

Do blog: http://opicodamontanha.blogspot.com/2011/10/apego-e-desapego.html

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Buda, o Dharma e a Sangha


Eu tomo refúgio no Buda, aquele que me indica o caminho nessa vida.
Eu tomo refúgio no Dharma, o caminho da compreensão e do amor.
Eu tomo refúgio na Sangha, a comunidade que convive em plena consciência e harmonia.

Não é apenas uma recitação mas uma lembrança de uma prática muito importante. O praticante quando se sente ameaçado ou sofre sabe que pode se refugiar no Buda (sua capacidade de plena atenção), no Dharma (os ensinamentos) e na Sangha (a comunidade). Mas o que são realmente o Buda, o Dharma e a Sangha?

Leia mais no blog http://sangavirtual.blogspot.com/2011/10/o-buda-o-dharma-e-sangha.html

domingo, 23 de outubro de 2011

Além do pensar e do não-pensar




Como é que se pratica a meditação? Meditando além do pensar, mas também além do não-pensar. "Pensar além do pensar e do não-pensar" é outra afirmação desconfortável. Não se diz para pensar nisso ou naquilo, ou para não pensar, mas "Pense além do pensar e do não-pensar".



Do site
http://www.daissen.org.br/hp/index.php

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Parabéns querido Thay!

Parabéns ao nosso querido mestre e eterna fonte de inspiração! Vida longa e cheia de bençãos!